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Anais de Filosofia Clássica
Número 3/6 (2009)
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Anais de Filosofia Clássica
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Sophistique, performance, performatif

Cassin, Barbara

“Como fazer coisas com palavras”, pergunta Austin. De certa forma, a sofística ou o discurso sofístico é o paradigma de um discurso que faz coisas com palavras. Não se trata, certamente, de uma simples ação “retórica” ou de um ato perlocutório que move os ouvintes por meio das pathê (paixões) ou toda sorte de emoções, tal como Platão tenta defini-lo. Não é, também, nenhum ato performativo ou ilocutório, como Austin o define (embora suas definições variem e se sobreponham), mas mesmo assim faz ou produz coisas, e possui o que eu chamo de um “effet-monde”. Tentarei retratar este effet monde, que é mais do que um simples efeito retórico de persuasão, a partir do embate primordial entre Górgias e Parmênides, entre logologia (palavra tomada emprestada a Novalis) e ontologia, entre epideixis e (apo)deixis. A Comissão Truth and reconciliation [Verdade e Reconciliação] na África do Sul oferece-me um exemplo atual em que, para citar Desmond Tutu, “palavras, linguagem e retórica fazem coisas” – contribuindo para o nascimento de um novo "rainbow-people" [povo arco-íris]. E a minha mais recente obra, uma peça de trabalho coletivo, o Vocabulaire Européen des Philosophies [Vocabulário Europeu de Filosofias], dicionário de termos intraduzíveis, mostrará algo como o impacto performativo da pluralidade de linguagens e línguas, criadoras de culturas e mundos. A relação entre performance e performatividade, bem como o lugar das pathé em meio a essa relação, começará, assim, a ser investigada.

«How to do things with words», asks Austin. In a way, sophistics or sophistical discursivity is the paradigm of a discourse which does things with words. It is certainly not a simple «rhetorical» action or perlocutionary act, moving listeners via pathê and all kinds of emotions, as Plato tries to define it. It is neither a performative or illocutionary act, as Austin defines it (although his definitions do change and overlap), but nevertheless it does, or it makes, things, and have what I call an « effet-monde ». I shall try to depict this effet-monde, which is more than a simple rhetorical effect of persuasion by starting from the primary scene between Gorgias and Parmenides, between logology (a word borrowed to Novalis) and ontology, or epideixis and (apo)deixis. The Truth and reconciliation Commission in South Africa will provide me an actual example, where, to quote Desmond Tutu, words, language and rhetoric, does things» — contributing to the birth of the new rainbow-people. And my last piece of collective work, the European Vocabulary of Philosophies, dictionary of unstranslatable terms, will show something like the performative impact of plurality of languages and tongues, creating cultures and worlds. The relationship between performance and performativity, and the place of pathê within it, will thus begin to be investigated.

1-29

Catégories, prédication et relation

Delcomminette, Sylvain

Contre les interprétations qui voient dans les catégories d’Aristote des notions primordialement métaphysiques, le présent article cherche à montrer que l’origine des catégories se situe dans la théorie logico-linguistique de la prédication telle qu’elle s’élabore en particulier dans le De Interpretatione. Pour ce faire, il se concentre sur le chapitre 9 du premier livre des Topiques et en dégage la notion de fonction prédicative, qui s’avère la plus apte à rendre compte de la signification des catégories aristotéliciennes et permet de comprendre en quoi celles-ci peuvent être caractérisées aussi bien comme des genres de prédications que comme des genres de prédicats ou encore des genres de l’être. Les catégories ainsi conçues ont pour rôle principal de structurer l’expérience pour la transformer en objet de science possible.

By contrast with interpretations which view Aristotle’s categories as primarily metaphysical notions, the present paper tries to show that the origin of categories lies in the logicolinguistic theory of predication developed notably in the De interpretatione. In this aim, it focuses on chapter 9 of the first book of the Topics, from which it extracts the notion of predicative function , which proves to be the best fitted to account for the signification of Aristotelian categories and brings to light the reason why these can be caracterised as genera of predications, genera of predicates and genera of being. The main purpose of categories thus conceived is to structure experience in order to transform it into a possible object of science.

30-49

L’Inconstantia Scholae Platonis

Botter, Barbara

Nel primo libro del De Natura Deorum Cicerone fornisce numerosi elementi sulla teologia di Aristotele. È nel corso della critica di Velleio contro Aristotele che si trova il frammento 26 del De Philosophia incluso nelle tre raccolte di Rose, Walzer e Ross. Le difficoltà che questo frammento solleva e l’interesse che gli è sempre stato attribuito sono dovuti al suo contenuto, così come all’indiscutibile riferimento che lo designa come estratto dal De Philosophia.

In the first book of De Natura Deorum Cicero gives many elements on the Aristotle’s theology. It is in the discussion of Velleius against Aristotle that we found the fragment 26 of De Philosophia, included in the three Collections of Rose, Walzer and Ross. The interest for this text is due to its content, as well as the unquestionable reference to Aristotle’s lost Dialogue. Although Aristotle’s work has reached us in incomplete form and many important texts are missing, the fragment of Cicero can be seen to occupy an important place in the De Philosophia as a whole.

50-71

O caráter trágico da sentença de Anaximandro

Costa, Alexandre

A sentença de Anaximandro destaca-se entre as mais remotas sentenças da filosofia em suas origens. Mas não é apenas por isso que se deve considerá-la uma das mais relevantes de todos os tempos: com ela Anaximandro inaugura uma série de temas tão preponderantes que a filosofia jamais pôde ver-se livre deles novamente. Trata-se de uma sentença ao mesmo tempo fundadora e definidora para a filosofia. É nela que vemos a filosofia tratar, pela primeira vez, da questão do tempo. Nessa sua primeira aparição, o tempo surge concebido como khrónos, originando-se a partir da imbricação fundamental entre ser e devir. Considerado o caráter antitético e paradoxal dessa imbricação, pode-se dizer que, em Anaximandro, a referida relação entre ser e devir será também responsável pela primeira concepção eminentemente filosófica de tragédia.

Among the most ancient sentences of the early philosophy, Anaximander’s sentence has its unique character: But this is not the only reason why one should take it as one of main sentences in the whole history of philosophy. Anaximander’s sentence launches issues from which philosophy just can’t get away, since it is a sentence that, for the first time ever, philosophy deals with the question of time. In the first appearance, time is understood as khrónos, originating itself as an essential crossroad between being and becoming. Taken the antithetical and paradoxical character of such a crossroad, one might say that, in Anaximander, the above mentioned relation between being and becoming will be also responsible for the first purely philosophical conceptualization of tragedy.

72-84

Sobre o prazer da tragédia em Aristóteles

Menezes e Silva, Christiani Margareth de

A presente comunicação tem o objetivo de mostrar como a tragédia proporciona prazer. Este tipo de composição poética tem como finalidade suscitar no espectador, ou no leitor, temor e piedade, emoções descritas tanto na Poética, quanto na Retórica como dores. Além de suscitar tais emoções, a tragédia provoca também prazer e este parece ligar-se à capacidade do homem para imitar, seja pela pintura e escultura, seja através do poema trágico. O problema é entender como o drama trágico proporciona prazer.

This paper intends to show how tragic plot arouses pleasure. The tragic framework arouses two painful emotions: pity and fear in the spectator or reader, and such emotions are described as pain in the Poetics and in the Rhetoric. Nevertheless, Aristotle tells us that tragic mimesis originating an inherent pleasure. The arising question is: how tragic actions have lead to the painful outcome arouses pleasure.

85-92

Os estóicos e a lida com as paixões

Guimarães, Mariângela Areal

Para o estoicismo antigo, o homem é natureza. Segundo um dos seus princípios básicos, a natureza dá ao homem todas as condições para que ele a siga, e segui-la consiste no grau superlativo da areté. Mas o homem fatalmente dela se afasta não sendo, consequentemente, virtuoso. Por que o homem não segue aquilo que ele mesmo é? Para respondermos a essa pergunta, temos que identificar o que impede o homem de seguir a natureza. Segundo os estóicos, as paixões são as responsáveis pelas perturbações na alma que podem levá-la a julgar de modo incorreto, ao em vez de julgar em consonância com a phýsis, isto é, segundo seu próprio ser. Diante de tal interpretação, pretendemos mostrar que a alma, como algo perturbável, deve ser lapidada de modo a aprender a lidar com as pathémata, mantendo-se em conformidade com o reto lógos.

For the ancient stoicism, man is nature. According to one of its basic principles, the nature gives to man all the conditions in order to follow it. And following nature is the superlative degree of areté. However, man fatally moves away from nature not being he, therefore, virtuous. Why man not follows what he really is? To answer this question, we have to identify what prevents man to follow nature. According to the Stoics, passions are responsible for the disturbances in the soul. The disorders can lead the soul to judge incorrectly, and not judge in accordance with the phýsis, that is, according to his own being. Thus, we intend to show that the Stoics believe that the soul can be disturbed. Therefore, should be improved in order to learn to deal with the pathémata, keeping in line with the correct lógos.

93-100

Páthos é escuta

Bocayuva, Izabela Aquino

Considerando o Mito de Er, da República de Platão, e como ocorre cada uma das várias atitudes das almas frente à escolha de suas vidas futuras, podemos assistir a vários níveis de escuta próprios ao exercício da paixão. A escolha exemplar da alma de Odisseu revela o relacionamento propriamente filosófico, isto é, sereno, com as paixões. Mas Odisseu também se mostra como sofista, como retórico por excelência, capaz da plena persuasão. É o que fica evidente numa passagem do segundo Canto da Ilíada. Ali, ele sabe como mobilizar as paixões. A Retórica de Aristóteles está diretamente relacionada com toda essa problemática, a saber, a mobilidade, a movimentação das paixões.

Considering Plato’s myth of Er in Republic and how each choice of future lifes by lots of different souls happens, we can see multiple levels of listening proper to the practice of passion. The exemplar choice of Odysseus’ soul reveals a philosophical (serene) connection with the passions. But Odysseus shows himself like a sophist too, like a rhetoric par excellence, able of total persuasion. That’s what is evident in the second Chant of Iliad. There, he knows how to move the passions. The Aristotle’s Rhetoric is directly connected with all this problems concerning the mobility of the passions.

101-106

Malignant and inappropriate passions over diverse domains

Leighton, Steve

Após recordar brevemente a visão oferecida pela Ética a Nicômaco a respeito dos modos pelos quais as paixões podem ser apropriadas, inapropriadas ou malignas, este artigo considera se, como e com que justificação essa compreensão pode ser conciliada com os papéis que as paixões assumem em outros domínios, inclusive na retórica, na poética e na política. O artigo argumenta que a propriedade ou a impropriedade do tipo da paixão e da sua ocorrência nos mais diversos domínios não são determinadas por uma noção geral ou ética do que é apropriado, mas podem variar de acordo com o domínio em causa. Considera-se como isso pode fazer sentido através de exemplos oferecidos para ilustrar e justificar essa compreensão. Ainda assim, casos em que há desacordo, quando aquilo que é inapropriado ou apropriado em um domínio não o é em outro, afiguram-se problemáticos, especialmente quando um desses domínios concerne à ética. Oferecem-se duas estratégias para dar sentido a esse problema, sendo uma delas defendida como a mais promissora. Ainda assim, as feições do pensamento de Aristóteles acerca da inveja como paixão maligna permanecem problemáticas.

After briefly recalling the Nicomachean Ethics’ view on the ways in which the passions can be appropriate, inappropriate or malignant, the paper considers whether, how and with what justification this understanding can be reconciled with the roles passions take in other domains, including rhetoric, poetics and politics. The paper argues that the appropriateness or inappropriateness of passion type and occurrence over diverse domains is not determined by a general or ethical notion of appropriateness, but can vary with the domain in question. How this can make sense is considered, with examples offered to illustrate and justify this understanding. Even so, cases in which what is inappropriate or appropriate in one domain is at odds with another seem problematic, especially where one of the domains concerns ethics. Two strategies for making sense of this are offered, with one argued to be most promising. Even so, features of Aristotle’s thinking about the malignant passion envy remain problematic.

107-117

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