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Anais de Filosofia Clássica
Número 2/4 (2008)
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Anais de Filosofia Clássica
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A verdade platônica entre lógica e páthos

Casertano, Giovanni

Ao contrário do que se pensa comumente, há muitos elos que unem as concepções e as perspectivas de Górgias e de Platão. Limitar-me-ei simplesmente a considerar a relação entre afetividade e racionalidade, entre palavra e paixões. Para o “sofista”, como para o “filósofo”, a palavra é sempre portadora de emoções, e suscita simultaneamente emoções; é o instrumento, tipicamente humano e civil, por meio do qual o indivíduo se relaciona com os outros. E isto vale também no campo das demonstrações racionais que, se quiserem ser eficazes, têm de ser capazes de gerar persuasão. Portanto, também a persuasão resulta de uma “aliança” entre lógica e paixão e esta aliança causa um tipo específico de curvatura no próprio conceito de verdade.

In spite of what is commonly held, there's many a link between Gorgia's and Plato's views and concepts. I will just consider the relation between the sphere of affections and that of reason, between the word and passions. To the "sophist", as to the "philosopher", the word always carries emotions with it, and at the same time it elicits emotions, it is the typically human and civil means through which the individual relates to others. And this also holds true for rational explanations that, in order to be convincing, need to generate persuasion. Persuasion too, thus, is the outcome of an "alliance" between logics and passion, and this alliance produces a special bending in the very concept of truth.

1-18

Como anistiar o poeta exilado por Sócrates?

Santoro, Fernando

Acredito que a melhor maneira de compreender o entrelaçamento da problematização da arte entre Platão e Aristóteles pode ser vislumbrada a partir de um desafio que lança o próprio Sócrates (habilíssimo Platão!), depois de decretar aquela expulsão: “Mesmo assim, fique dito que, se a poesia imitativa que visa ao prazer pudesse apresentar um argumento que prove que é necessário que ela tenha um lugar numa cidade bem administrada, prazerosos, nós a acolheríamos porque temos consciência de que ela exerce um encanto sobre nós.” Rep. 607c Este desafio pela boca irônica de Sócrates mais parece um desafio lançado pelo próprio Platão aos seus discípulos da Academia. E quem aceitou e venceu este desafio senão aquele que foi o melhor discípulo da Escola? A Poética de Aristóteles enfrenta o desafio, buscando mostrar a utilidade moral e política em cada uma das três acusações imputadas à poesia: a de ser falsa, de ser traiçoeiramente sedutora, e de ser deformadora do caráter emocional. Acusações de caráter noético, estético e patético.

Je crois que la meilleure façon de comprendre le rapport de la discussion sur l’art entre Platon et Aristote peut être perçue par le défi que pose Socrate lui-même (habile Platon!) après avoir prononcé la fameuse expulsion: «De toute façon, soit dit que, si la poésie mimétique qui envisage le plaisir peut présenter un argument prouvant qu’il est nécessaire qu’elle tienne place dans une cité bien gouvernée, volontiers nous la recevrons car nous avons conscience qu’elle nous charme.» Rep. 607c ce défi sorti de la bouche ironique de Socrate semble plutôt un défi posé par Platon lui-même aux disciples de l’Académie. Et qui l’aurait accepté et vaicu sinon celui qui était le meilleur élève de l’École? La Poétique d’Aristote s’avance pour montrer l’utilité morale et politique dans chacune des trois accusations imputés à la poésie: qu’elle trompe, qu’elle séduit, qu’elle déforme le caractère émotional. Accusations d’ordre noétique, esthétique et pathétique.

19-28

Sócrates versus Górgias: as noções de téchne e dýnamis aplicadas à retórica

Dinucci, Aldo Lopes

Em Górgias 447c, Sócrates faz o seguinte questionamento, referindo-se a Górgias: “Anseio saber qual é a dýnamis da téchne do homem, e do que é o que ele faz profissão e ensina”. Mas podem Górgias e Sócrates ter em mente as mesmas coisas no que se refere às palavras dýnamis e téchne? Mostrarei que não é esse o caso, pois tais noções em Sócrates surgem a partir de uma visão realista, adquirindo significações diferentes daquelas do senso comum, enquanto Górgias as compreende em algumas das acepções correntes. Ao fazer tal indagação a Górgias, Sócrates pretende apresentar e impor sua própria noção de téchne, mostrando, ao mesmo tempo, que a retórica não pode ser uma téchne no sentido socrático do termo.

In Gorgias 447c, Socrates makes the following questioning, referring to Gorgias: “I want to find out from the man what is the dýnamis of his téchne, and what it is that he professes and teaches”. But can Gorgias and Socrates have in mind the same things concerning the words dýnamis and téchne? I will show that it’s not the case, for these notions in Socrates derive from a realistic vision, acquiring senses different from those of common sense, while Gorgias understands them in some of the current senses. Making such a question to Gorgias, Socrates wants to present and impose his own notion of téchne, showing, at the same time, that rhetoric cannot be a téchne in the Socratic meaning of the word.

29-39

Poesia e filosofia em Platão: a noção de entusiasmo poético

Pinheiro, Paulo

Sabemos que Platão concede ao rapsodo (o intérprete da poesia homérica) uma condição passível, ao mesmo tempo, de crítica e elogio. De elogio, na medida em que o rapsodo deve ser considerado um homem especial, tomado por uma força entusiástica que o conduz à elevação necessária à atividade poético-interpretativa. De crítica, na medida em que a sua interpretação explicativa do poema (a sua dialégesthai) não segue os critérios demonstráveis da dialética, ou seja, que a atividade hermenêutica do rapsodo não pode ser tomada nem como arte (téchne) nem como conhecimento (epistéme). O que tento revelar nesse artigo é o quanto Platão importa da atividade inspirada do poeta para a sua própria filosofia. Afinal, para Platão o filósofo é também um homem inspirado (não pelas Musas, mas por Eros). Como nos diz J.-F. Mattéi, a filosofia é então a verdadeira obra poética que, longe de abolir a arte, a eleva à altura da verdade que, como a linguagem do poeta ou a figura do pintor, não abandona jamais a esfera do icônico.

We know that Plato figures in both criticism and praise for the rhapsodist (the interpreter of homeric poetry). On the one hand, the rhapsodist is eligible for praise, since he was a special man, possessing an enthusiastic force that enables him to engage in highly poetic-interpretative activity. On the other hand, he is eligible for criticism, since his explanatory interpretation of the poem (his dialégesthai) does not act in accordance with the attested criteria of the dialectics, that is, his hermeneutic activity cannot be seen either as art (téchne) or as knowledge (epistéme). What I attempt to reveal in this article is how much Plato imports from inspired activity of the poet to his own philosophy. All in all, for Plato the philosopher is also an inspired man (not by the Muses, but by Eros). According to J.-F. Mattéi, philosophy is the actual poetic work, which, far from abolishing art, elevates it to the value of truth, and in the same way as the poet’s language or the painter’s picture, does never abandon the iconic sphere.

40-58

Platão e o discurso dos politicos: o Menexeno. A propaganda politica de democratização

Fitipaldi, Caia

A política em sociedades democráticas contemporâneas exige que se enfrentem os discursos públicos midiatizados e espetacularizados, em que forças conservadoras produzem frases e padrões fortemente ideologizados. O exercício da democracia exige que esses chavões ideológicos sejam desconstruídos e que se construa um discurso de ação e de contrapropaganda, aqui definido como "discurso de propaganda de democratização". No diálogo Menexeno, Platão nos oferece uma via exemplar, pela paródia de um tipo de discurso oficial de solenidade política, sua desconstrução e, em seguida, a reversão dos valores ideológicos inicialmente parodiados.

Politics in contemporary democratic societies need the confrontation of spectacular and mediate public discourses, where conservative forces print strongly ideological phrases and patterns. Democracy needs the deconstruction of those ideological clichés for the build of an active and anti-advertised discourse, defined here as an "advertised democratization discourse". In Menexenus, Plato offers an exemplar way, parodying a kind of solemnity official discourse, doing its deconstruction and reverting the firstly parodied ideological values.

59-69

O “Fedro” e a escrita

Reis Pinheiro, Marcus

Este artigo analisa uma passagem do diálogo Fedro de Platão (274b-278b) relevante para a idéia de que é através de uma experiência vital que se deve inscrever o conhecimento filosófico na alma do aluno. As críticas à linguagem escrita, presentes no fim do Fedro, nos apontam para uma supremacia do modo existencial como o indivíduo se relaciona com o tema investigado sobre os seus discursos ou suas conclusões racionais. É que tais discursos nem sempre estão relacionadas com os lógoi inscritos dentro de sua alma. São esses lógoi que realmente determinam o que alguém realmente sabe sobre um assunto, e é com eles que se deve travar uma “luta” para que haja uma transformação verdadeira naquele que ingressa na filosofia.

This paper analyses a passage from Plato’s Pheadrus (274b-278b) relevant for the fact that it is through a vital experience that one must inscribe the philosophical knowledge in the student´s soul. Plato explicitly criticizes written language in this passage, and it points to the supremacy of the existential mode in which the individual faces philosophy in detriment of its rational conclusions. This is so because these conclusions are not always attached with the lógoi inscribed in the student´s soul. These inscribed lógoi determine if someone really knows about a subject, and if one wishes to really enter philosophy, he has to transform radically the lógoi already inscribed in one´s soul.

70-87

Antifonte, o Sofista: a noção de ‘arrýthmiston’

Oneto, Paulo

O objetivo deste trabalho é, num primeiro momento, fazer um pequeno balanço da tese de que o Antifonte sofista - autor de textos sobre a verdade, a concórdia, a questão política e um de um livro de interpretação de sonhos - não é o mesmo Antifonte, orador de Ramnos; para, em seguida, apresentar o que seria o conceito-chave deste pensador: o conceito de arrýthmiston. A partir da leitura que Gilbert Romeyer-Dherbey faz dos fragmentos, trata-se de mostrar que a noção serve para designar um fundo ontológico inseparável dos entes, uma espécie de solo transcendental informe sobre o qual se dariam os processos de formação. Deste modo, é possível vislumbrar uma alternativa às filosofias gregas da forma (como a teoria das Formas platônica ou hilemorfismo aristotélico). A ênfase passa a recair na idéia de devir infinito em lugar da idéia de um ser perfeito.

In a first moment this paper aims to reinforce the thesis that Antiphon, the sophist – who wrote texts on truth, concord, political issues and a book to interpret dreams – is not the same Antiphon who delivered speeches at Ramnus. Then, one tries to introduce what would be Antiphon’s key-concept: the concept of arrýthmiston. Taking Gilbert Romeyer-Dherbey’s reading of the fragments, the question is to show that this very notion functions as a designation for the ontological background of all what exists, a kind of informal transcendental ground for the processes of formation. On the basis of this interpretation it seems possible to find an alternative for the Greek philosophies of form such as Platonism and Aristotelianism. What is stressed now is the idea of an infinite becoming instead of the idea of a perfect being.

88-95

Um Antifonte múltiplo

Ribeiro, Luís Felipe Bellintani

Há, certamente, vários argumentos, de diferentes níveis (biográfico, lexical, estilístico, doutrinário), favoráveis e desfavoráveis quer à hipótese da unidade quer à da separação de Antifonte, o sofista, e de Antifonte, o orador. O presente texto tenta defender a posição unitarista pela articulação de passagens de obras atribuídas pelos separatistas a dois autores distintos.

Il y a, certes, plusieurs arguments, de différents nivaux (biographique, lexical, stylistique, doctrinal), pour et contre soit l’hypothèse de l’unité soit celle de la séparation de l’Antiphon le sophiste et l’Antiphon l’orateur. Ce texte essaye de soutenir la position unitariste par l’articulation de passages d’oeuvres attribuées pour les «séparatistes» à deux auteurs différents.

96-106

Resenha.- Teatro e teoria na Grécia antiga, Guilherme Veiga. Brasília: Thesaurus, 2008

Castro, Susana de

97-101

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